Um tempo de velocidade

01/10/2015 - Rio de Janeiro, O Robson Caetano da um show de irrevêrencia ao visitar a Vila Olimpica  na  Barra da Tijuca  RJ.  J Ricardo/Agencia Freelancer

Já se passaram 27 anos desde que Robson Caetano da Silva cravou 10 segundos nos 100 metros rasos no Campeonato Ibero-Americano do México e estabeleceu um novo recorde sul-americano. Até hoje a marca não foi superada. Em entrevista ao Ilha Pura & Você, o ex-atleta – bronze nos 200metros rasos em Seul (1988) e no revezamento 4x100m em Atlanta (1996) – fala da emoção de assistir aos Jogos Olímpicos em casa e faz suas apostas para o atletismo na Rio 2016.

Além dos bronzes, Robson guarda três medalhas de ouro nos 200 metros em Copas do Mundo de Atletismo: Austrália 1985, Barcelona 1989 e Cuba 1992; duas medalhas de ouro nos 100 e 200 metros dos Jogos Pan-Americanos de Havana em 1991 e mais 18 títulos sul-americanos. Respeitado por nomes do esporte como Michael Johnson, Donovan Bailey, Edwin Moses, Frankie Fredericks e Sebastian Coe,  o sprinter carioca não pendurou as chuteiras – ou melhor, as sapatilhas – quando parou de competir.

Bacharel em educação física, graduado em comunicação social,com especialização em marketing e administração esportiva pelo COI/COB, Mr. da Silva, como é chamado por amigos, atua como comentarista esportivo, faz palestras motivacionais e preside o Instituto Robson Caetano, que desenvolve ações socioesportivas para crianças e jovens de comunidades carentes no contraturno escolar.

Ele, aliás, é nascido e criado na favela Nova Holanda. Em seu projeto social, a filosofia é criar ambientes que estimulem a autoestima e a socialização e permitam a revelação do talento:

“Dar continuidade a essa forma coletiva de valorizar o ser humano, independentemente do lugar em que vive, é fortalecer a sociedade”.

01/10/2015 - Rio de Janeiro, Os atletas Olímpicos Nicole e Natalia - saltos ornamentais - Atleta Paraolimpico de remo Michel Robson Caetano - Atletismo,  visitam a Vila Olimpica  na  Barra da Tijuca  RJ.  J Ricardo/Agencia Freelancer

 

01/10/2015 - Rio de Janeiro, Os atletas Olímpicos Nicole e Natalia - saltos ornamentais - Atleta Paraolimpico de remo Michel Robson Caetano - Atletismo, acompanhado do  Diretor da Ilha Pura  Mauricio Cruz  visitam a Vila Olimpica  na  Barra da Tijuca  RJ.  J Ricardo/Agencia Freelancer

Robson foi descoberto pela técnica Sônia Ricette num campo de futebol na Baixada Fluminense no fim da década de 1970. No início da carreira, treinava seis horas por dia no Conjunto Célio de Barros, no Complexo Esportivo do Maracanã, no Rio de Janeiro. A pista era tão precária e cheia de buracos que Robson tinha de escolher os melhores pontos para pisar. Seu desempenho começou a ser gravado em vídeos e estudado por especialistas em biomecânica, um ramo da medicina em grande evolução à época. Os estudos indicaram algumas atrofias musculares e erros de postura que puderam, então, ser corrigidos, permitindo ao atleta ganhar preciosos centésimos de segundos nas provas.

Irreverente, Robson diz que todos os momentos de sua carreira foram importantes,mas destaca as conquistas olímpicas e diz que“duas medalhas de bronze, treinando no Brasil, valem mais do que ouro”. E se revela animado para receber atletas do mundo inteiro:

“Principalmente porque sei o quão difícil é chegar a uma Olimpíada, e me sinto orgulhoso do trabalho que está sendo desenvolvido pelo comitê organizador dos jogos no meu país”.

Espectador das Olimpíadas em casa, ele se arrisca a apontar quem são os brasileiros que poderão brilhar no atletismo em solo carioca: “As fichas estão depositadas em todo time, mas os destaques são a Fabiana (Murer) e o Fabio (Gomes da Silva) no salto com vara e o time feminino do revezamento 4/100”.