Oscar Schmidt aposta no Brasil em 2016

Com cinco Olimpíadas no currículo, o maior jogador brasileiro de basquete de todos os tempos conta os dias para a Rio 2016. Avalizado pelos quase 50 mil pontos que marcou em 32 anos de carreira, Oscar Daniel Bezerra Schmidt aposta que, jogando em casa, o Brasil terá o melhor resultado de sua história.

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“Teria sido incrível jogar uma olimpíada em casa, mas também será muito legal acompanhar os jogos ao lado da torcida brasileira”, explica o cestinha.

Diz o recordista de pontos da história do esporte – foram 49.737, mais de três mil acima dos 46.725 assinalados pelo lendário Kareem Abdul-Jabbar na NBA.

E foi exatamente no Rio, que será palco da maior competição do planeta, que o potiguar fez história.

“Vivi muitas alegrias na Cidade Maravilhosa. Estou certo de que os cariocas saberão fazer uma Olimpíada maravilhosa”, diz o Mão Santa.

O apelido foi criado por dois jornalistas esportivos em alusão ao incrível talento nos arremessos de longa distância.

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Nessa entrevista para o Ilha Pura & Você, perguntado sobre o segredo de seu sucesso, Oscar respondeu sem hesitar:

“Empenho, muito empenho. É meu conselho para alguém que sonha ser atleta profissional. Ele deve treinar muito, muito mesmo, e, quando estiver bem cansado… Deve treinar mais um pouquinho. Na verdade, isso se aplica a tudo na vida. O empenho é sempre fundamental para alcançarmos os nossos objetivos, sejam eles quais forem”.

Em seus tempos de atleta, Oscar mantinha uma rotina que incluía dois treinamentos de mais de mil arremessos por dia. “Me vejo como alguém que se dedicou demais àquilo que sabia fazer de melhor, que chegou e explorou bem seu limite. Tenho a consciência de que não dava para fazer mais”, conta. Como se mais fosse possível: Oscar esteve em quadra dos 13 aos 45 anos, foi campeão 49 vezes, 25 como profissional, e ostenta outros recordes, tais como o o maior número de pontos assinalados em Olimpíadas (1.093) e o maior número em uma partida válida pelo torneio olímpico (55, contra a Espanha, nos Jogos de Seul, 1988).

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O amor pelo Rio só não é maior do que o orgulho de representar o Brasil.  Em nome do que considera um privilégio, abriu mão de jogar na NBA, sonho de qualquer atleta:

“Naquela época, o basquete era considerado esporte amador. Se me transferisse para uma liga profissional, como a NBA, perderia o direito de jogar pela seleção. E isso nem passou pela minha cabeça”.

Três anos depois de dizer não a um convite da liga americana, Oscar comandaria aquela que possivelmente foi a maior vitória da história do basquete brasileiro, nos Jogos Panamericanos de Indianápolis (1987): vencer na final a poderosa equipe americana, comandada por futuros astros da NBA, como David Robinson e Danny Manning, “em casa”.

O reconhecimento a esse e tantos outros feitos chegou no dia 8 de setembro de 2013, quando, em inglês, o Mão Santa fez o discurso de agradecimento pela inclusão no seleto Basketball Hall of Fame. “Esta foi, sem dúvida, a maior premiação que recebi, uma emoção incrível”, conta Oscar, também integrante do Hall da Fama da Federação Internacional de Basquete (Fiba), desde 2010. Quem entregou o prêmio ao ex-ala da seleção foi Larry Bird, escolhido por ele próprio para a função. O motivo? Bird foi um dos grandes ídolos da carreira do craque.

Com tantos desafios superados, o mais famoso cestinha do País vem enfrentando, desde 2011, o mais difícil de todos: a luta contra um câncer no cérebro. Oscar não se permite derrotar e mantém o alto astral e o sorriso no rosto, fazendo piadas, se apoiando na família e aproveitando o máximo da vida. Em entrevista a uma emissora de TV em 2014, quando falou com exclusividade sobre a batalha contra a doença, Oscar explicou que a família era sua principal motivação.

“Meus filhos são o que qualquer um gostaria de ter. Eles três são o motivo pelo qual eu já venci a minha doença. Por eles eu tenho a certeza de que vou viver mais uns 30 mil anos”, destacou.

Olhando para trás, o eterno número 14 – escolhido por ser o dia em que conheceu sua esposa, Cristina, mãe de seus filhos, Felipe e Stephanie -, garante:

“Minha vida foi melhor do que poderia imaginar. Nunca sonhei chegar tão longe, jogar na seleção brasileira por tantos anos e participar de tantas vitórias”.

Oscar já foi convidado para conhecer Ilha Pura e deve fazê-lo ainda nesse ano. Ele conta ter ótimas lembranças das cinco vilas em que esteve hospedado – Moscou, Los Angeles, Seul, Barcelona e Atlanta -, sobretudo pela rara experiência que uma instalação olímpica possibilita de conviver com pessoas de origens e culturas tão diferentes. “A vila é a parte mais bonita de uma Olimpíada”, resume.