A pequena notável da Ginástica

TORONTO, ON - JULY 13:  Flavia Lopes Saraiva of Brazil competes in the floor excercise during the women's all around artistic gymnastics final on Day 3 of the Toronto 2015 Pan Am Games on July 13, 2015 in Toronto, Canada.  (Photo by Ezra Shaw/Getty Images)

Do alto de seu 1,35 m de altura, a ginasta Flávia Saraiva, 16, esbanja confiança: “Estou preparada para disputar as Olimpíadas”. De Paciência, na Zona Oeste do Rio, para o mundo, a carioca, que já conquistou uma medalha de bronze por equipes e o bronze individual geral no Pan Americano 2015 – fato que não ocorria com uma brasileira há 12 anos – desponta como uma das maiores promessas para os Jogos Olímpicos de 2016.

Flavia é baixinha até para o esporte – as atletas de ponta nunca passam dos 1,60m. Mas quem a vê em ação, em cima do tablado em que as ginastas fazem suas performances de solo, se surpreende. Ela ganha projeção com seus saltos seguidos de piruetas que poucos humanos são capazes de fazer.

A determinação nos treinos faz parte da história de vida da jovem, que foi descoberta por um projeto da ONG Qualivida e começou na ginástica aos sete anos de idade. A família morava em uma casa simples no bairro de Paciência, Zona Oeste do Rio, e os pais não mediram esforços para incentivar a filha. Aos 11 anos, a atleta deixou a família para entrar de cabeça no projeto criado pela técnica Georgette Vidor em Três Rios, a 129km do Rio de Janeiro. O período de um ano e meio vivendo no município do centro-sul fluminense por causa do esporte e, depois, os longos deslocamentos até o centro de treinamento na Barra da Tijuca, foram recompensados.

Hoje, a pequena notável treina – muito – no centro de ginástica construído dentro da HSBC Arena e mora em um condomínio bem em frente ao local, junto com outras jovens atletas. Sob a coordenação de Georgette Vidor, e treinada pelo russo Alexander Alexandrov, além de seu técnico pessoal Alexandre Carvalho, a evolução da atleta nos últimos anos é considerável.

flavia

Flavinha pode ter 16 anos e competir entre adultos, mas ainda carrega uma timidez infantil. Quando entrevistada, ainda responde com poucas palavras. Ao tratar com o público, no entanto, a atleta mostra que une, como poucos, sucesso esportivo com carisma. Abre um sorriso e se diverte com a situação.

Seu maior desafio, diz Flavinha, foi o evento-teste de ginástica artística para a Rio 2016, em abril. Era a última chance de o Brasil se classificar para a ginástica artística feminina dos Jogos Olímpicos. Como o país não obteve vaga no Mundial da modalidade em 2015, em Glasgow (Escócia), precisava ficar entre os quatro melhores da competição disputada na HSBC Arena.

Com uma apresentação segura, a brasileira fez a melhor prova de sua vida e conquistou 14.400 pontos, garantindo a medalha de ouro. Isso depois de conquistar a medalha de prata na trave. Ali, Flavinha ajudou a garantir a vaga da equipe de ginástica entre os cerca de 18.000 hóspedes de Ilha Pura na Rio 2016.

“Treinei muito para estar entre as melhores. Esse esforço, aliado ao planejamento de meus técnicos, fez com que tudo desse certo”.

Atletas e técnicos ressaltam que essa convivência com o público em uma competição de ponta, dá bagagem para o que vai acontecer no Rio 2016. Para Flavia, competir em casa não foi e nem será uma pressão:

“A torcida me dá muita força”.

Pois pode contar com a gente, Flavinha.