Um Rio de marcos arquitetônicos

 

Rio de Janeiro - Para celebrar a inauguração do Museu do Amanhã, na Praça Mauá, aberto pela primeira vez ao público neste fim de semana, a Prefeitura do Rio realiza o Viradão do Amanhã (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Existe um Rio que vai além das praias, do futebol e do carnaval. Para os fãs de arquitetura, o estado é um convite a uma exposição a céu aberto: temos um dos maiores acervos de edificações do mundo. E não são só as joias do passado que merecem destaque, não. Os exemplares de arquitetura contemporânea – que envolve todos os movimentos, tendências e técnicas arquitetônicas utilizadas atualmente – são dignos de um roteiro para turistas e cariocas. Ao fim do passeio, o visitante chegará à conclusão de que fazer turismo arquitetônico por aqui pode ser tão divertido quanto tomar sol em suas praias. Confira!

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Ocupando 15 mil metros quadrados, cercado por espelhos d’água, jardim, ciclovia e área de lazer, numa área total de 34,6 mil metros quadrados começamos pelo novo ícone da cultura do Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã, na remodelada Praça Mauá.

 

O museu se destaca pela cobertura metálica que avança em grandes balanços, que exigiram ensaios em túnel de vento para que a dinâmica correta estivesse garantida. O espanhol Santiago Calatrava, autor do projeto arquitetônico, diz que a inspiração para a estética inovadora veio das bromélias do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Outros veem semelhanças com uma grande ave com asas abertas ou uma baleia futurista prestes a mergulhar na Baía de Guanabara.

Museu do amanhã Nome da imagem – Ano/mês/dia + arquivo + .NEF (vide nome da foto -  EX: 20120405-DSC_0001.NEF) -  Brasil – RJ - Rio de Janeiro - LOCAL - Museu do amanhã – Pier da Praça Mauá – Obras do Consórcio Porto Rio – Material produzido por câmera time-lapse Huoliver Fotografia  - Câmera instalada no prédio do Colégio São Bento - Créditos –  Sérgio Huoliver/Porto Rio

O projeto parte de uma proposta que prevê a adoção de recursos sustentáveis, como o uso da água da baía da Guanabara para resfriamento da temperatura no interior do prédio e a instalação de estruturas móveis na fachada que, além de atuarem como brises-soleils (quebra-sóis), servem de base para placas fotovoltaicas que possibilitam a captação de energia solar. Certo é que sua arquitetura é inovadora, mas o Museu do Amanhã é também um convite a repensar a cidade – e o mundo – que queremos para o futuro.

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“O Museu do Amanhã vestiu o Pier Mauá, onde se localiza, mas também buscou integrar-se a ele. Seu desenho longitudinal é marcado pelo píer, por estar cercado de água, como uma península. Conversa com o céu e com o mar, através de suas estruturas móveis, que representam não só uma ousadia, mas um novo foco de interesse ao visitante. Com isso, embora ele esteja inserido numa produção internacional, ele consegue ser bastante carioca”, ressalta o arquiteto Carlos Fernando de Andrade, que esteve por anos na superintendência do Iphan-RJ.

 

Da Praça Mauá, vamos para a Barra da Tijuca, onde a Cidade das Artes, projeto do francês Christian de Portzamparc, homenageia o modernismo brasileiro. O edifício é considerado uma das obras públicas mais relevantes da engenharia brasileira nas últimas décadas.

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Como uma varanda sobre a cidade, a Cidade das Artes é contida em uma grande estrutura elevada a dez metros de altura, de onde se pode ver a montanha e o mar. A construção flutua sobre um parque público, um jardim tropical e aquático concebido por Fernando Chacel, e reúne uma grande variedade de espaços: uma sala de concertos única no mundo, que pode se converter em sala de ópera e em teatro, uma sala de música clássica e de música popular, salas de cinema, de dança, de ensaio, áreas de exposição, restaurantes e uma midiateca.

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“Na Cidade da Música tem-se uma aula de espaço, ou de como produzi-lo. Seu grande trunfo é a estrutura que dá o tom no projeto, a generosidade dos espaços e uma relação entre os ambientes externo e interno que gera uma transparência e penetração bastante rara”, ensina o arquiteto Carlos Fernando de Andrade.

 

Por último, atravesse a ponte e vá a Niterói admirar o MAC – Museu de Arte Contemporânea. Uma obra onde a técnica dá expressivo suporte à arte. Com 16 metros de altura, o MAC nasce do chão numa base cilíndrica única de 9 metros de diâmetro que sustenta todo o prédio. A cobertura circular, com 50 metros de diâmetro, tem área de quase dois mil metros quadrados. Um espelho d’água com 817 m² de superfície e 60 centímetros de profundidade confere leveza à construção. A grande rampa externa de concreto vermelho conduz o visitante através de 98 metros de curvas livres no espaço, às entradas dos pavimentos superiores.

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“Sua estrutura é marcante – uma geometria rigorosa sobre um espaço, que por ser natural e litorâneo, é também movimentado – e, ao mesmo tempo, é também integrada à paisagem. É interessante porque desconstrói a imagem clássica dos museus, voltados para dentro e para seu acervo. A paisagem e, nela, o próprio museu, passam a ser o grande espetáculo”, conclui Carlos Fernando.

 

Explicação Necessária

Oscar Niemeyer (2006)

 

“Como é fácil explicar este projeto! Lembro quando fui ver o local. O mar, as montanhas do Rio, uma paisagem magnífica que eu devia preservar. E subi com o edifício, adotando a forma circular que, a meu ver, o espaço requeria.O estudo estava pronto, e uma rampa levando os visitantes ao museu completou o meu projeto.”

 

E você? Já visitou uma dessas referências arquitetônicas?